O quarto poder no paraíso dos hackers

Chantagistas chantageados por chantageadores profissionais que chantageavam para os chantagistas. Parece a resolução de um crime pelo Scooby-Doo e Salsicha. Pasmem, é onde o “puderrrr” concentrado nos gênios de Brasília nos levou. Os contratantes de hackers os catapultaram a condição de quarto poder e agora não sabem o que fazer.

O Brasil faz tempo dá mostras de falta de gestão ou planejamento em telecomunicações. O país ignora acordos de segurança na internet, o sigilo de usuários, os direitos autorais na web e confunde, na internet e fora dela, a diferença entre público e privado. Aqui Zuck jamais seria interrogado pelo Senado ou um Senador teria que explicar como usa seu e-mail para compartilhar informações de Governo.

Dezenas de milhões de brasileiros têm seus dados bancários invadidos. Ações na justiça movidas por você ou das quais você é réu, seu CPF, endereço e telefone, tudo está exposto na internet brasileira. Uma conversa telefônica entre a presidente e o ex-presidente dois dias depois de acontecer estava no noticiário nacional. Centenas de milhares de arapongas virtuais oferecem serviços nas midias sociais. Descubra se o seu namorado lhe trai. Experimenta fazer essa busca. No Brasil ainda é possível roubar um celular e revendê-lo sem ser rastreado pela polícia.

Sem legislação específica coerente ou aparato policial qualificado o Brasil, que já é o maior corredor de exportação de cocaína no mundo, também é o mais próspero paraíso de hackers do mundo. Arapongas a vontade, chefes do crime comandando as capitais de dentro das prisões por WhatsApp, impunidade quase total para os donos de bunkers e até um sistema eleitoral em que qualquer menino descobre em quem você votou. Centenas de milhões de ligações para celulares feitas por empresas para quem os usuários não deram seus números. Claro que um dia esse caldo cultural criminoso iria ferver. Mas quem se importaria com isso? Quando os bancos passaram a compartilhar entre si dados dos clientes, nada houve. Quando centenas de milhares de aposentados tiveram empréstimos consignados fechados por telefone, pouco aconteceu. Quando a Receita Federal passou a poder cobrar Imposto de Renda a partir da movimentação bancária, que um dia foi sigilosa por motivos óbvios, nenhum ministro se opôs.

Agora os ministros têm dificuldade com o novo universo das comunicações e do compartilhamento de informações outrora privadíssimas. No faroeste caboclo digital, xerife também leva tiro. Ou nas palavras do Guru do Meyer: “papagaio que come pimenta sabe o cu que tem”.

Só para lembrar, o Brasil segue há anos com a tarifa de telefonia móvel mais cara do mundo, 50% dos fios nos postes não servem para coisa alguma e uma parcela minúscula dos estudantes universitários sabe explicar como a luz se transforma em foto no celular que seguram na mão. 

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Sobre Luciano Medina Martins

Journalist, blogger, activist against the abuses of states that violate citizens' rights. I don't write about one only topic, I like to interact with many different issues. No fake news here.
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